terça-feira, 22 de março de 2011

CULTURA EM AÇÃO, DIA 27 DE MARÇO


Dois universos normalmente vistos como opostos se encontram no programa Cultura em Ação desta semana.
Omar Fadul é flautista e compositor  ligado à Música de Concerto, chamada frequentemente de Música Erudita, como não houvesse erudição alguma em Chico Buarque, Cartola, Hermeto Paschoal, Tom Jobim, e “pela aí foi e continua indo”. Brincadeira isso.  Mas enfim, erudita ainda é melhor do que clássica. De volta ao que interessa. Fadul não faz distinção entre a esquerda e a direita na hora de tocar. Reside em Moscou e já morou nos EUA, mas é de Barra do Piraí.  Muito talentoso, uma figura simpaticíssima, mostrou três peças.  Tocamos trechos de duas sonatas para flauta e piano e um Prelúdio para Piano.  Música boa de ouvir, leve e ao mesmo tempo complexa.  Vale à pena conferir. Visitem o site do cara www.omarfadul.com
Omar Fadul, composições e perfomances de alto nível

Luiz Brasil é mais um músico carioca, nascido na Bahia.  Um dos muitos da linhagem.  Seu disco Beira é um primor.  Música sofisticada, repleta de erudição sem perder a ternura jamais.  No programa mostrou Azul do Mar, Madalena, Maraca e mais uma que eu não anotei.  Madalena ele canta, coisa rara, mas segundo a mãe do próprio, ele é o melhor cantor do Brasil. Quanto à sua posição no ranking eu me abstenho, mas sua interpretação da bela melodia nos remete ao que de melhor a Bahia já produziu, de Assis Valente à Gil, Caetano (com quem ele tocou por cerca de 10 anos) e Moraes Moreira. Site da fera: www.luizbrasil.com.br
Sofisticação e erudição com bossa

E olha só. Segundo o Ivan Bala, diretor de programação da Roquette Pinto, Cultura em Ação divide com outro programa (que eu não me lembro o nome) a melhor audiência do fim de semana da rádio.  Ô coisa boa! Parabéns recebidos que compartilho com Marlene Nunes, produtora do Cultura em Ação.
Aliás, fazendo jus ao nome do programa, semana que vem vamos estrear um micro-quadro, com uma igualmente micro-entrevista (tipo 3 minutos) pelo telefone com o Deputado Robson Leite, Presidente da Comissão de Cultura da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a ALERJ.  Quem quiser enviar uma pergunta para o deputado fique à vontade.
Lembrando.  Domingo, 10hs, 94.1 FM, Roquette Pinto, ou pelo site www.fm94.rj.gov.br





terça-feira, 15 de março de 2011

CULTURA EM AÇÃO, 20 DE MARÇO

Roberto Gnattali e Alfredo Cardim

Dois mestres, cada um a seu modo, estiveram no Cultura em Ação.  O programa gravado às terças-feiras vai ao ar sempre aos domingos às 10 da manhã, (94.1 FM) pela Rádio Roquette Pinto.

Gnattali e Cardim são músicos experientes, com carreiras consolidadas por trajetórias vitoriosas. Também são dois amigos, o primeiro, de longa data e a outra, uma amizade que começou bem longe daqui.  Agora, sem termos combinado nada, eu e Cardim temos a oportunidade de retomar nosso papo, sem a incômoda pressa dos que transitam pelas frias ruas do hemisfério norte.  Somos vizinhos, no Lido, em Copacabana.  Coincidências da vida.

Vamos por ordem cronológica.

Gnattali conheci quando eu ainda era adolescente.  Devo a ele muito do meu progresso na música.  Sob sua orientação fiz meu primeiro arranjo: "Vou Vivendo" do Pixinguinha.  Foi um grande incentivador, o maior deles. Ele é professor da Uni Rio, um mestre visionário, capaz de antever (há algumas décadas) a necessidade de um programa de formação universitária para músicos ligados à música popular.  Hoje já existe o Bacharelado, na mesma Uni Rio, em Música Brasileira. Foi também um dos mentores da criação do Conservatório de Música Brasileira de Curitiba, cuja direção a ele coube por dez anos.  Arranjador da linhagem Gnatalli.  Compositor e um militante da música, da boa música, da música brasileira, sem se tornar um daqueles chatos nacionalistas, que acha que o mundo acaba no subúrbio carioca. Roberto foi ao programa para falar do belo trabalho abaixo, uma paródia de Pedro e o Lobo, que aproxima o Choro do universo das crianças. 



Os interessados em adquirir o belo livro podem entrar
em contato diretamente com o autor pelo telefone
(21)8819-7736 ou pelo e-mail gnattali.roberto@gmail.com

Alfredo Cardim é pianista e compositor. O conheci em 1999 em Boston.  Não convivemos tanto, é verdade, mas sempre admirei seu jeito tranquilo e seu estilo elegante ao piano, algo capaz de nos remeter ao que de melhor a Bossa Nova produziu em termos de escola, com aquela forma sofisticada e econômica de tocar. Esteve no programa mostrando um pouco do seu trabalho, do DNA Bossa Trio. D. de Duduka da Fonseca (bateria), N. de Nilson Matta (Baixo) e A. de Alfredo Cardim, é claro.  O disco foi gravado no Brooklyn, em Nova York, onde Duduka e Nilson residem.  Cardim trouxe também seu livro Brazilian Piano, editado lá na terra do Obama, que já deve ter ajudado a muito gringo na difícil tarefa de desvendar os mistérios da nossa música, no caso, o livro dedica-se a ensinar fundamentos do Choro, Samba e Bossa.



Brazilian Piano encontra-se à venda
na Toca do Vinícius em Ipanema e
na Bossa Nova, na rua Rodolfo Dantas em
Copacabana, ao lado do Beco das Garrafas

Dois mestres e dois amigos.

Foi muito bom revê-los.

Escutem e curtam o bate-papo dos dois.  Fiz o possível para não atrapalhar.

Ah, lembrando.  Domingo, dia 20 de março, 10 horas. 94.1 FM, ou pela internet, para aqueles que se encontram fora do RJ. http://www.fm94.rj.gov.br/

Saudações Musicais,

ZK

quinta-feira, 10 de março de 2011

CULTURA EM AÇÃO, DIA 13 DE MARÇO

Da esquerda para a direita: Ivan Bala, diretor de programação da Roquette,
Marlene Nunes, produtora do Cultura em Ação,
Schneider e Grau, convidados do programa.
No dia 13 de março, domingo às 10 horas da manhã, não deixem de ouvir na rádio Roquette Pinto, o programa Cultura em Ação apresentando o som de Eddu Grau e Línea Schneider.  Eddu é compositor que transita por várias vertentes da música brasileira pop contemporânea.  É Morador do Complexo do Alemão e um daqueles jovens talentos natos que impressionam pela musicalidade. Schneider, de Nova Friburgo, é cantora e compositora.  Suas composições também navegam pelas águas da diversidade, bem produzido pelo competente produtor e piansita Tiquinho, morador de Bom Jardim.

Pra firmar. Domingo, dia 13 de março, 10 horas. 94.1 FM, ou pela internet, para aqueles que se encontram fora do RJ. http://www.fm94.rj.gov.br/




terça-feira, 8 de março de 2011

BLOCO DA ANSIEDADE: FREVO SEM FREIO

Frevo vem de ferver, corruptela: frever.  E foi isso que rolou ontem em frente à Fundição Progresso no RJ.  O frevo ferveu. 
Frevo: música e dança que exigem técnica e muita energia

A saída do Bloco da Ansiedade composto por dançarinos e músicos profissionais energizou o fim de tarde do dia 7 de março. 
Foi um barato!!!
O bloco ofereceu entretenimento a foliões e amantes da música.  Alegria e boa música (instrumental) tudo junto e misturado, é possível!!!
O frevo é um estilo muito sofisticado musicalmente. As melodias são difíceis, normalmente tocadas em andamento (tempo) rápido, cheias de síncopes e antecipações que exigem precisão no desempenho da orquestra, formada ontem por sopros ( trompetes, saxofones, trombones e tuba) e percussão (caixa, pandeiro, surdo). 
Partituras nas costas do músico da frente: solução criativa

O frevo também exige muito conhecimento musical de quem faz os arranjos (ou orquestrações), ou seja, aquele que escreve o que cada músico vai tocar.  Neste caso fui informado que os arranjos eram de uma galera de peso, lá mesmo de Pernambuco, terra natal do frevo.
O bloco saiu em sintonia com as origens.  Um cordão separava músicos e dançarinos da multidão que acompanhava o cortejo, assim como ocorre desde os primórdios do sinuoso estilo.  Na Recife do passado, a banda saía protegida pelos cordões e tendo à frente, abrindo caminho, os capoeiras, que com seus gingados acabaram por influenciar ritmicamente o desenho melódico do estilo.

Capoeiras à frente das orquestras de frevo
tradicionais no carnaval de Recife

Bloco da Ansiedade. A  influência nordestina no carnaval carioca vem de longe e ontem a fundição celebrou o presente com o frevo no pé na tradição.

Flagra no Frevo


sábado, 5 de março de 2011

ITAOCARA, TERRA DE PATÁPIO SILVA

Quando cheguei ao município de Itaocara, no dia 19 de agosto de 2010, terminava a missão da equipe de campo da secretaria estadual de cultura de percorrer todos os municípios do interior fluminense.  Era o final de uma etapa importante no processo de elaboração do Plano Estadual de Cultura. 

Itaocara foi uma visita especial.  Em parte por ter sido a última, mas também porque naquela cidade, há 130 anos, nascia um dos mais importantes músicos brasileiros: Patápio Silva.



Patápio faz parte da primeira geração do Choro.  O Choro (não chamem de chorinho porque alguns músicos ligados ao gênero não toleram o termo) é considerado pelos estudiosos como o primeiro gênero musical urbano da música brasileira.  Pois é, Patápio e sua turma foram os desbravadores de uma paisagem sonora que processou a transição de alguns estilos de música européia para a música brasileira, culminando com o aparecimento do Choro. 

O encontro em Itaocara foi regado à música.  Assistimos a um grupo de jovens músicos, instrumentistas participantes do projeto Patápio Silva.  Foi legal ver o reconhecimento daqueles jovens ao ilustre itaocarense. Durante a curta apresentação me pareceu que Patápio era mais deles do que nosso, apesar do músico ter vivido grande parte da sua vida fora de Itaocara.  Mas aos vê-los se apropriando daquela forma do Patápio, acabamos, nós da equipe da secretaria,  por começar a enxergar aquele lugar de uma forma diferente, não a partir do que lemos e ouvimos a respeito, mas sim através de parte de sua identidade, ficando mais fácil distinguindo-lo de outros lugares aparentemente tão parecidos.  É isso.  Itaocara deixava de ser um local qualquer do interior para se tornar o berço de Patápio Silva, dono de uma história própria e única. Acho que não consegui dizer o que eu queria, mas deixa pra lá. 

Ainda segundo aprendi naquele dia, os primórdios da história da música daquele município nos remete ao século XIX.  Era comum naquela época que os barbeiros da cidade, grupo formado majoritariamente por afro-brasileiros, ex-escravos ou descendentes destes, se ocupassem de estudar e tocar instrumentos de origem européia. Uma fenômeno que muitos etnomusicologos acreditam ter ocorrido apenas no Rio de Janeiro e Salvador. Foi-me relatado neste encontro em Itaocara que o pai de Patápio Silva foi um desses músicos, que na Itaocara do século XIX movimentava a cena musical local. 

É esse o pedaço da rica história de Itaocara que eu queria postar.  Despeço-me mencionando também outros personagens da cultura itaocarense que estiveram conosco ou foram citados no encontro do dia 19 de agosto: os artistas plásticos Henrique Resende (então secretário), Márcia Malhano, Arivaldo Corrêa e Nilson Viegas, os integrantes do Grêmio Recreativo Escola de Samba Eu Também Vou, o pessoal da  Associação Itaocarense de Artistas e os membros da Academia de Letras de Itaocara, dentre outros que tive o prazer de conhecer. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CULTURA EM AÇÃO

Faço, desde 2006, um programa de rádio que vai ao ar todos os domingos às 10 da manhã pela Rádio Roquette Pinto (94.1FM).

Neste domingo, dia 27 de fevereiro, meus convidados são Gisa Nogueira e Beto Saroldi. 



Da esquerda para direita: Gisa Nogueira, Beto Saroldi (em pé) e Zeca Barros

Saroldi é compositor e saxofonista, na verdade um produtor musical e multi-instrumentista, com trabalhos realizados com gente do calibre de Gilberto Gil, dentre outros ban, ban, bans.  Sua música é caracterizada por linhas melódicas bem construídas, ora próxima do easyjazz - melodias tranquilas, ora flertando com o fusion, de forte influência da costa oeste norte-americana.  Já conhecia o trabalho dele. 

A surpresa veio ao ouvir Gisa Nogueira.  Compositora próxima à tradição do samba, mas que mostrou, por exemplo, uma bela valsa no programa.  Suas letras e melodias sofisticadas me encantaram (harmonias são terceirizadas).  Ela é mãe de um grande amigo, Didu Nogueira, irmã de João Nogueira e, portanto tia do popsambastar do momento, Diogo Nogueira. Conviveu na sua infância com os amigos de seu pai, se não me engano também chamado João.  Na casa deles iam alguns dos mais importantes músicos da nossa história, gente como Pixinguinha, Donga, João da Bahiana... né mole não.

Vale dizer que esse programa marcou minha volta aos estúdios da Roquette, com Peter pilotando a engenharia de som e o reencontro com Ivan Bala e Márcia Nogueira, respectivamente diretor de programação e produtora da rádio. Obrigado também à Presidente Eliana Caruso por nos receber. Cultura em Ação tem como produtora Marlene Nunes.

Então, finalizando a postagem. Domingo, dia 27 de fevereiro, 10 horas. 94.1 FM, ou pela internet, para aqueles leitores do blog que se encontram fora do RJ. http://www.fm94.rj.gov.br/

Até a próxima.

ZK Barros

sábado, 5 de fevereiro de 2011

HISTÓRIA E CULTURA EM TERRAS E ÁGUAS PERNAMBUCANAS

Acabei de vir do nordeste.  Pernambuco.  Águas mornas e terra rica em costumes e tradições.  Costumes que ainda fazem parte da vida dos pescadores de Itamaracá, paradisíaca ilha, hoje município de Pernambuco.
A pesca ainda é uma forma de subsistência em Itamaracá

Minha família – carioca e nordestina, foi a primeira a ter uma casa de veraneio na praia de São Paulo, isso no final da década de 60.  Paraíso total. Uma casa simples, sem luz (TV e outros aparatos), água puxada pela bomba e cuja varanda terminava na areia da praia. Ao redor, apenas as casas dos pescadores,

Eu na frente da casa, no início da década de 70


Convivemos de perto com os hábitos simples, comportamento pacato, de poucas palavras e muita paciência dos nativos, que sempre demonstraram sabedoria e profundo respeito pela natureza, retirando dela apenas o necessário à sua subsistência.  Foram verdadeiras lições de educação patrimonial e ambiental. Lembro muito do silêncio quebrado apenas pelo vento nos coqueiros e pelas cirandas e outros cânticos entoados à capela pelos locais.

No barco com pescadores da ilha
Hoje Itamaracá cresceu.  Muito.  Lá, como em outros lugares, não foi possível crescer e "desenvolver" salvaguardando todas as tradições. Mas muita coisa ainda ficou de pé. Entre os monumentos mais importantes encontra-se o Forte Orange, construído pelos Holandeses no século XVII.
Uma das laterais do Forte Orange, com canhões na parte de cima

Abaixo o Forno Holandês, onde os holandeses derretiam a pedra calcária para obter a cal para misturar com o barro, obtendo uma massa usada como cimento.  Enildo e Giza, destes guerreiros da cultura que existem por aí, ergueram uma casa sobre o forno, preservando e cuidando do espaço.  Nunca receberam ajuda do Poder Público e de lambuja, segundo Giza me disse, estão sendo acusados pelas autoridades de ameaçar este patrimônio. Ah é!
A casa construída em cima do Forno

Só para complementar.  Olha o estado do outro forno, bem ao lado do anterior, que o casal não cuidou e as mesmas autoridades não tomaram conhecimento.


O outro forno, abandonado pelo descaso

Abaixo a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, na localidade conhecida como Vila Velha, área cuja ocupação data de 1516.  Os guias locais dizem que esta é a segunda igreja mais antiga do Brasil, o que não é verdade. 

A pequena e ainda imponente Igreja NS da Conceição

Segundo historiadores, a igreja só foi erguida no século XIX, sobre um forte, este sim do século XVI feito pelos ... franceses. É, não só os holandeses, mas os franceses também estiveram por lá.
No interior da bela igreja encontra-se uma imagem doada por Dona Maria I , “A Louca”.
Interior da Igreja NS da Conceição

Outras tradições, igualmente nordestinas mas ligadas à cultura do interior, agora dão o ar da sua graça nas praias da ilha, certamente atraídas pelo fluxo de turistas.  É o caso dos repentistas, que criam de improviso versos muito divertidos.
Repentistas em uma das praias de Itamaracá

Ainda bem que cultura não se resume à oferta de bens e serviços, elaboração de projetos e prestação de contas.

Brincadeira, o entardecer em Itamaracá.
Belo entardecer na praia de São Paulo, Itamaracá
Até logo.